Como está a proposta
Segundo a apuração, o desenho em discussão prevê empréstimos com taxas abaixo das praticadas pelo mercado bancário. Em contrapartida, os recursos seriam destinados exclusivamente ao pagamento de dívidas. A proposta não ficaria limitada a débitos tributários, como em programas de REFIS, e também inclui debate sobre liberação de verba para infraestrutura. Até agora, porém, não houve definição sobre o valor total a ser liberado nem sobre os critérios para aprovação do crédito.
Bets entram no centro da negociação
O tema corre em paralelo à Medida Provisória que o Governo Federal prepara para restringir as bets no país. Nas conversas, dirigentes usam a possível perda de receita com casas de apostas como um dos principais argumentos para buscar o crédito. A publicação informa que as bets pagam cerca de R$ 1 bilhão por ano para estampar marcas nas camisas da Série A.
No caso do Flamengo, a exposição é relevante porque o clube tem com a Betano o maior contrato de patrocínio do futebol brasileiro, com receita fixa de R$ 268 milhões por temporada. Ainda segundo a apuração, a empresa sinalizou informalmente o risco de encerrar o patrocínio máster em caso de proibição, e a avaliação interna do clube é de que o fim dos acordos ligados às apostas retiraria até 20% da receita prevista.
O movimento dos clubes também inclui tentativa de diálogo direto com o Palácio do Planalto antes da publicação da MP. A mesma apuração indica que o governo pode propor uma mesa de negociação para reduzir o impacto da medida, mas descarta devolver parte das outorgas de R$ 30 milhões pagas pelas empresas. Se assinada, a MP passa a valer imediatamente, embora ainda dependa de aprovação do Congresso para virar lei.

