Em conversa com jornalistas no Ninho do Urubu, o diretor de futebol afirmou que o clube já discute alternativas para enfrentar a possível perda de receitas. Segundo Boto, ele teve na véspera uma reunião de quatro horas com o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, para tratar do tema. Na fala mais direta sobre o assunto, disse: “Nós estamos a trabalhar sobre vários cenários. Isso vai ter implicação em todo o planejamento do futebol. Nos piores cenários, podemos ter que ir para a venda de jogadores e a não reposição”.
Planejamento do futebol e compromissos já assumidos
Boto explicou que a preocupação do Flamengo está ligada a compromissos já assumidos contando com receitas hoje ameaçadas. Ele citou que o clube firmou obrigações considerando “o dinheiro legal de contratos legais” e afirmou que a discussão sobre Lucas Paquetá, mencionada por Bap, não trata do salário do jogador, mas dos valores a serem pagos ao West Ham em compromissos assumidos.
De acordo com o dirigente, a hipótese mais dura envolve gerar caixa com saídas do elenco para manter as obrigações em dia. Ao justificar essa possibilidade, ele afirmou que o Flamengo não pretende atrasar pagamentos e citou risco de punições esportivas, como “transfer bans”, caso esses compromissos não sejam honrados.
Salários assegurados e impacto mais amplo
Ao mesmo tempo, Boto garantiu que salários de jogadores e funcionários não entram nesse cenário. Segundo ele, “nunca estará em causa os salários dos jogadores e os salários dos funcionários”, nem neste ano nem em 2027. A ressalva feita pelo diretor é que o impacto recairia sobre compromissos com outros clubes, e não sobre a folha do futebol e dos empregados.
A fonte de receita mais diretamente citada na discussão é o contrato com a Betano, patrocinadora master do Flamengo. Segundo o UOL, a receita direta desse acordo pode chegar a R$ 268 milhões por ano. Boto também afirmou que o receio não é exclusivo do clube e avaliou que a mudança pode baixar a qualidade e a competitividade do futebol brasileiro.

